Olhas para o ecrã e vês "707..." ou um número que começa por um sinal de mais. Saber ler os primeiros dígitos de um número diz-te logo se vale a pena atender, se te vai custar dinheiro ou se há motivo para desconfiar.

Como estão organizados os números portugueses

Um número de telefone português tem sempre 9 dígitos. Não há prefixo nacional nem o velho "0" à frente que ainda existe noutros países. Quando escreves o número na forma internacional, juntas o indicativo de país +351 e mantens os mesmos 9 dígitos a seguir.

O primeiro algarismo é a informação mais importante: divide o universo dos números em grandes famílias. Os que começam por 9 são telemóveis, os que começam por 2 são fixos, e os que começam por 8 ou 7 costumam ser linhas com regras de tarifação próprias. Este plano de numeração é gerido pela ANACOM, o regulador das comunicações. Vamos a cada caso.

Números de telemóvel: começam por 9

Todos os telemóveis portugueses começam por 9, seguido de um segundo algarismo que historicamente identificava a operadora: 91, 92, 93 e 96. Hoje esse detalhe diz pouco. Com a portabilidade, qualquer pessoa pode mudar de operadora e levar o número, por isso um número 96 pode estar perfeitamente numa rede diferente daquela em que nasceu.

Na prática, o que precisas de reter é simples: 9 dígitos a começar por 9 é um telemóvel português normal. Se um número assim te liga de forma repetida sem deixar mensagem, é mais provável que seja telemarketing ou um sistema automático do que um contacto pessoal.

Números fixos: começam por 2

Os números fixos começam por 2 e o indicativo a seguir indica a região. Os mais conhecidos são o 21, da zona de Lisboa, e o 22, da zona do Porto. O resto do país usa indicativos de três dígitos -- por exemplo 231 a 271 no continente, 291 na Madeira e 292 nos Açores.

Um fixo já não garante que do outro lado esteja uma casa ou um escritório nessa cidade. Muitas empresas de telemarketing usam números fixos geográficos para parecerem locais e aumentarem a probabilidade de seres tu a atender. O indicativo regional ajuda a contextualizar, mas não substitui uma verificação a sério -- vê como fazê-la no guia sobre como verificar um número desconhecido.

Números especiais e linhas que custam dinheiro

Aqui está a parte que te pode poupar dinheiro. Alguns prefixos não são telemóveis nem fixos comuns -- são linhas de serviço com tarifação especial:

  • 800 -- linha verde, gratuita para quem liga;
  • 808 -- custo de uma chamada local, independentemente de onde estás;
  • 707 -- número de custo partilhado, normalmente mais caro do que uma chamada normal;
  • 760 e 761 -- números de valor acrescentado, os mais caros, usados em concursos, votações e linhas de apoio pagas.

O perigo não está em receberes uma chamada destes números, mas em ligares para eles. Um esquema clássico é a chamada perdida que te tenta a devolver para uma linha 760. Se quiseres perceber quanto te podem custar e como identificá-los, lê o artigo dedicado aos números de valor acrescentado.

Chamadas do estrangeiro e indicativos suspeitos

Um número que comece por "+" e não por +351 vem de fora de Portugal. Isso não é mau em si -- podes ter família, trabalho ou compras lá fora. Mas se nunca esperas chamadas internacionais e recebes uma chamada perdida de um indicativo exótico, desconfia. É a base da burla das chamadas perdidas internacionais, em que devolver a chamada custa caro.

Repara também numa coisa: o número que aparece no ecrã pode ser falsificado. Um burlão consegue fazer parecer que te liga de um número português, ou mesmo do número do teu banco. Por isso o indicativo é uma pista, nunca uma garantia.

Há ainda um detalhe que confunde muita gente. Alguns indicativos internacionais começam por sequências parecidas com prefixos portugueses, e numa olhadela rápida passam despercebidos. Habitua-te a olhar para o número completo, e não apenas para os dois primeiros algarismos. Se o número tem mais ou menos dígitos do que os nove habituais de um número português, ou se traz um sinal de mais à frente, não é um número nacional comum -- por muito familiar que pareça o arranque.

Como usar o indicativo para te protegeres

Ler os primeiros dígitos é um filtro rápido, não uma sentença. Antes de atenderes ou de ligares de volta, faz três perguntas: este número é um telemóvel, um fixo ou uma linha de serviço? O indicativo bate certo com quem diz ser? Estou à espera de uma chamada deste tipo?

Se a resposta deixar dúvidas, não devolvas a chamada às cegas. Pesquisa o número numa base de opiniões e confirma sempre pela via oficial. O número 112 continua a ser o único que deves marcar sem hesitar -- é a linha de emergência. Todos os outros merecem um segundo de atenção antes de carregares em "chamar".