O erro mais comum não é falta de ferramentas, é a ordem. Quem liga de volta primeiro e pesquisa depois já deu ao outro lado o que ele queria: a confirmação de que o número está ativo ou, no pior dos casos, uma chamada paga. O procedimento abaixo demora cinco minutos e serve para qualquer número, seja um telemóvel, um fixo ou um indicativo estrangeiro.
1. Lê o registo antes de fazer seja o que for
Toca na chamada perdida para ver o número completo, a hora e a duração. Conta os dígitos: um número português tem 9, e com +351 à frente continua a ter 9 depois do indicativo. Tudo o que começa por outro indicativo vem do estrangeiro. Uma chamada de um ou dois segundos de um indicativo exótico, a meio da noite, é o retrato da burla Wangiri das chamadas perdidas do estrangeiro: ninguém te procura, querem que ligues tu.
2. Pesquisa no catálogo de opiniões
Copia o número e procura-o no catálogo de números. Lê vários comentários e não apenas o primeiro: uma opinião isolada pode ser engano, dez parecidas desenham um padrão. Repara também nas datas. Um número que recebeu comentários todos na mesma semana é típico de uma campanha de telemarketing ou de uma vaga de burlas. Se não encontrares nada, podes ser tu a deixar a primeira opinião depois de saberes quem era.
3. Pesquisa no Google entre aspas
Escreve o número entre aspas, em mais do que um formato: "912345678", "912 345 678" e "+351912345678". As aspas obrigam o motor de busca a procurar a sequência exata. Se o número pertence a uma clínica, a uma transportadora ou a uma loja, costuma aparecer no rodapé do site ou na ficha da empresa num diretório. Desconfia de páginas que apenas listam milhares de números sem qualquer contexto: não te dizem nada de novo.
4. Confirma na fonte oficial
Se a chamada disse ser do banco, dos CTT ou das Finanças, não confies no número que aparece no ecrã. Vai ao site oficial da entidade, ou ao verso do teu cartão bancário, e compara. Mesmo que coincida, isso não prova nada, porque o número mostrado pode ser falsificado, como explicamos no artigo sobre o spoofing do número de telefone. A regra é simples: se o assunto é sério, desligas e ligas tu para o contacto oficial.
Quando faz sentido ligar de volta
Liga de volta apenas quando todas estas condições se verificam:
- o número é nacional, a começar por 2 (fixo) ou 9 (telemóvel);
- não começa por 760, 761 ou 707, os prefixos que explicamos no artigo sobre números de valor acrescentado;
- a chamada durou o suficiente para ter sido uma pessoa a tentar falar contigo;
- a pesquisa não trouxe comentários de burla ou de insistência.
E mesmo assim, se do outro lado te pedirem logo dados pessoais, códigos recebidos por SMS ou que carregues numa tecla, desliga. Quem te procurava de verdade apresenta-se primeiro e explica o motivo; quem te quer enganar começa por pedir.